A iniciação

Postado por FadaDoDoce em BDSM, Comportamento, Crônica Sexual, Dominação, Sexo - 02-05-2012

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A iniciação

Caminhava decidida pelas ruas do centro enquanto relembrava todas as experiências que tinha vivido até aquele dia . Algumas excitantes, outras cômicas, mas, certamente, nada se compararia ao que estava preste a vivenciar. Naquela noite quente de verão, se iniciaria o treinamento.

Cheguei ao local combinado. Ainda havia movimento, pessoas passando apressadas para retornarem a suas casas ou, como eu, a irem se encontrar com seus desejos. Parei. Enquanto aguardava, fiquei a observar, buscando um pouco de distração. Tudo em vão. Meus pensamentos insistiam em tomar outro rumo, tudo me levava a lembrar o que estava preste a acontecer.

Ansiosa, aguardei mais alguns minutos e, mesmo antes de vê-lo, pude sentir sua presença, sua aproximação, tal como um imã a atrair-me. À medida que se aproximava, meu nervosismo foi sendo dissipado. Já ao meu lado, cumprimentou-me. Sorri discretamente. E por vontade, instinto ou natureza, toquei sua mão e levei-a ao encontro de meus lábios, beijando-a delicadamente.

Seguimos caminhando alguns minutos e logo chegamos no local.
Entramos. Fiquei parada no meio da sala, olhos baixos. Ele se aproximou, tocou meu queixo, fazendo-me erguer os olhos (por certo me percebeu receosa) e sussurrou-me ao ouvido: “vamos lá cadelinha…”
Sentou-se numa poltrona, acendeu um cigarro e, após algumas tragadas, ordenou que eu me despisse.

Ao ouvir tal ordem meu corpo estremeceu. Apesar de saber que isso é comum e também necessário, tive que vencer a timidez. Esse seria somente o primeiro desafio que teria que vencer nessa noite.

Nada dizia, apenas observava… Acredito que se divertia assistindo aquele duelo entre minha timidez e meu desejo. Continuou por alguns instantes me observando. Sentia meu rosto cada vez mais rubro, ao mesmo tempo em que tremia. Enfim, uma mistura de sensações, sensações inéditas e excitantes.

Depois de algum tempo, para mim longo e torturante, levantou-se, tocou meu ombro com a ponta dos dedos que deslizaram por meus seios até os mamilos. Suas mãos passaram a percorrer todo meu corpo, explorando-o. Sua presença, seu toque, a idéia de meu corpo lhe pertencer, a cada minuto tudo me excita cada vez mais e mais. Com uma das mãos segurou-me pelo pescoço e, com a outra, de uma maneira mais forte e libidinosa, minhas ancas…. Levou meu corpo para perto do seu e selou sua posse com um beijo.

Afastou-se. De soslaio, observei que retornou com alguns objetos. Entregou-me um deles para que eu o colocasse em meus tornozelos. Prendeu outro semelhante em meus pulsos.

Agora, aproxima-se novamente. Traz uma coleira em suas mãos. Meu corpo todo se arrepia. Volto meu olhar para o chão e, como uma cadelinha obediente e submissa, ergo meus cabelos e logo a sinto presa e justa ao meu pescoço. Sua mão desliza em torno da coleira, do meu pescoço. Sinto o cheiro e a aspereza do couro, que pela primeira vez toca minha pele.

Afasta-se. Senta-se novamente e com um sinal chama-me. Aproximo-me, ainda um tanto acanhada pela nudez. Não me diz nada, mas sei meu lugar. Ajoelho-me a seus pés. Sento-me sobre os calcanhares e submissa diante dele, mantenho meus olhos abaixados, assim como minha face.

Sua voz sai suave, profunda e rouca. Começa a dizer-me como espera que deva me comportar. Explica com seriedade, paciência. Fala-me do que lhe agrada, de seus desejos, da liturgia que terei que cumprir. Aos poucos, sua voz apazigua meus receios, descarta minha timidez. Já mal me dou conta que estou completamente despida. Ouço tudo com atenção e calada, procurando absorver todos os ensinamentos.

Depois de dito isto, fecha os olhos, respira fundo, abre os olhos e sorri. O mundo se reduz àquele instante e esta é uma imagem que sempre terei em minha mente. Eu de joelho aos seus pés e seu sorriso.

Descruza as pernas, afastando-as. O que vejo a minha frente é o meu espaço, um ninho onde desejo pousar meu corpo, meus desejos e minha alma. Com um gesto de seu olhar percebo que é ali que me quer. De joelhos aproximo-me. Estou entre suas pernas. O corpo, percebo que treme levemente. Não, não é mais medo ou timidez. É apenas o desejo desperto por estar assim tão próxima.
Próxima o bastante para sentir-lhe seus cheiro a preencher meu olfato. Próxima o bastante para sentir o calor que emana e que contraditoriamente me faz arrepiar.

Falou-me algo, mas não me dei conta, pois estava um tanto perdida em meus devaneios.

Sua mão segura meu queixo. Um pouco mais rispidamente do que antes o fez. E é isto que me faz perceber-me mais sua. Encolho-me. Não atrevo a dizer-lhe, pedir-lhe ou implorar para que repita a pergunta. Apenas abaixo os olhos, tentando desviar-me de seu olhar. Contudo, como um pássaro já entregue ao encanto da serpente, meu coração bate aflito, mas não devo e não desejo afastar-me.

Quando me dou conta, sua mão já estala em minha face. Ela queima, não só pela violência do tapa, mas, principalmente por vergonha de poder tê-lo decepcionado. Meus olhos marejam. Tento mostrar-lhe minha fortaleza, mas as lágrimas teimam, inudam e descem suavemente pela minha face.
Sua mão agora acaricia a pele quente. Seus dedos secam a face recém molhada. A outra mão afaga meus cabelos. Tenho vontade de implorar por sua desculpa, por seu perdão. Dizer-lhe que desejo ser, que sou sua cadelinha. Sua mão afaga meus cabelos, apertam minha nuca e faz com que me aproxime mais.

Estou entre suas pernas, sua mão a afagar-me como um bichinho que lhe é agradável. Então, por um minuto, deito minha cabeça em seu colo. Seu calor seca o que resta de minhas lágrimas.

Seu polegar pressiona minha nuca. Não me machuca, apenas faz com que fique atenta a quem pertenço, a quem devo saciar as vontades e desejos. Pressiona. Dança. Ritma. E eu entrego-me ao seu adestramento. Meu rosto se cadencia, segue o ritmo de seus dedos por sobre minha nuca. Fico ali inebriada a acariciar-lhe com meu rosto. Sua mão solta minha nuca, mas continuo. Sei que lhe agrado assim.

A boca saliva, meu corpo treme, arde. O cheiro de seu sexo e o contato com sua excitação me fazem gemer baixinho. Aproximo-me daquele ninho sedenta pela néctar que me alimenta como mulher e submissa.

Logo após, ordena que eu fique de quatro e, ao seus sinal, aproximo-me. Sua mãos percorrem minhas costas, acariciam meus cabelos, coxas, até alcançarem meu ventre. Seus dedos vasculham-me, tateiam o corpo que agora lhe é entregue. Mapeiam sua propriedade e sentem minha excitação, o prazer que me umidece e que começa a invadir meu ventre, minha alma. O prazer brotando, brotando da vergonha, da submissão, do respeito, do temor, do calor de suas mãos. Surpreendida, permaneço calada, mas sem conseguir conter a respiração que torna-se ofegante.

Entrego-me ao turbilhão de sensações que invadem meu ser neste instante. Retorno da minha viagem quando sinto suas mãos firmes segurando-me os cabelos e jogando-me sobre uma mesinha.

Prostrada sobre a mesa, afasta minhas pernas, apalpa com vigor meu sexo e penetra-me enquanto morde minha nuca, libertando meus gemidos. Gemo pelo prazer, gemo pela dor de ser invadida. Gemo por sentir seu falo quente a penetrar-me, rasgando minha carne

Sinto o prazer escorrer por minhas pernas, seu cheiro invadir o ambiente e logo evaporar-se no calor da noite e de nossos corpos.
Prestes a explodir em gozo, puxa-me pela nuca e aproxima seu rosto. Cerro os olhos, ordena que lhe olhe. Sou incapaz, o prazer naquele momento é tão intenso, inédito e visível em meus olhos que tenho receio de compartilhar tal sensação tão pecaminosa com aquele que me toma.

Com certa rispidez a mesma ordem chega agora com um vigoroso tapa em minha perna. Não aguardo o próximo. Olho em seus olhos e agora vejo o que deseja. Sei que seu desejo e meu dever é entregar-lhe meu gozo, o meu gozo que a partir desse instante lha pertence.

Depois de gozar intensamente, meus instintos me guiam. Submissa e entregue, aos seus pés, plena de corpo e alma, inclino-me e beijo amorosamente primeiro o chão por onde passou, depois seus pés.

E aos pés daquele a quem me entrego, sussuro agradecendo:

- Obrigada, meu Senhor !

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Fada do Doce é uma submissa amante de BDSM e do universo fetichista. Gosta de ser controlada e usada. Não mede esforços para proporcionar prazer a quem lhe domina.

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